29/01/2008 11:48
Esportividade máxima
Texto e fotos: Renato Bellote
Fotografar é colocar na mesma linha de mira, a cabeça, o olho e o coração. Essa frase, do mestre das imagens Henri Cartier-Bresson, parece ser uma dica valiosa para todos aqueles que gostam de eternizar os bons momentos. Com os carros clássicos também é assim. Cada um deles passa uma idéia e, mesmo parecendo seres inanimados, nos mostram exatamente como querem ser fotografados.
Conversa de maluco? Que nada. O belo Porsche Carrera RS 1973 que o leitor vê nas imagens é um exemplo. Marquei uma vez com o proprietário e choveu. Na segunda vez, choveu de novo. Que coisa! Deixamos para o início do ano seguinte.
Naquela manhã de janeiro, quinta-feira, acordei às sete horas em ponto, preocupado naturalmente com o tempo. Abri a janela e o sol do verão inundou o quarto. Excelente! A espera tinha valido a pena. A busca pela foto perfeita dá trabalho. Mas é algo recompensador.
Chegando ao local combinado esperei alguns minutos e logo o dono da máquina desde 1985 também apareceu. Um aperto de mão rápido e descemos para o piso inferior. Eu queria ver o Porsche e suas linhas cheias de sensualidade automotiva. Quem gosta de carro sabe do que estou falando.
O Carrera RS abreviação de Rennsport é um esportivo puro. O que quero dizer com isso? Ele foi feito para as pistas. Seu motor de 2,7 litros e 210 cv tem um ronco agressivo, que incita o motorista a pisar fundo. E ele pede mais. Em outras palavras: um Porsche pra lá de nervoso.
O felizardo colecionador me disse que sua atração pela marca germânica começou cedo. O meu pai tinha uma oficina de carros importados e eu trabalhava com ele nas férias escolares, conta. Quando terminei os estudos, passei a me dedicar totalmente à empresa, onde estou até hoje. Porém, desde pequeno fui um apaixonado por carros e pensava neles o dia inteiro, revela.
O sonho tomou forma com as miniaturas. Quando criança comecei a colecioná-las e as preferidas eram as de Porsche. Atualmente tenho cerca de duas mil unidades, diz. Comprar o verdadeiro foi só uma questão de tempo, finaliza.
Uma das coisas mais interessantes sobre este exemplar é que nunca foi restaurado. É todo original. Tenho o manual do proprietário, livreto de revisões e chaves-reserva. A bolsa de ferramentas que veio com ele também, revela.
Mas não deixarei o leitor com água na boca. Vamos conferir o interior do mito. Os bancos acomodam bem e o painel fica totalmente à vista do condutor. Aliás, essa é uma característica dos 911. O conta-giros marca até as oito mil rotações e o velocímetro passa dos 250 km/h.
Uma volta ao redor do carro mostra outros detalhes. Na frente, faróis auxiliares para iluminar bem o caminho. E, claro, pedir passagem para os outros veículos na estrada. Também se destacam as rodas Fuchs de quinze polegadas. Por último, o duck tail, que nada mais é do que o grande aerofólio com as iniciais do mito gravadas em vermelho.
E chegou minha hora preferida: o passeio. Este foi curto, já que o proprietário tinha um compromisso. Mas em todo antigo uma voltinha já basta para ficar na lembrança. Ao girar a chave o motor boxer despertou com fúria. O ronco é um pouco ardido, bravo. Instigante, como disse no começo.
Subimos a rampa e alcançamos a rua. Uma aceleradinha já empurrou as costas contra o banco. Sensacional. Durante o trajeto ele me contou que faz uma revisão geral a cada dez mil quilômetros e também assim como outros antigomobilistas só usa gasolina aditivada no tanque. Apesar de ter 35 anos, ele é muito bom e comparando com os modelos novos, acho muito mais confiável, diz E o principal, não quebra, salienta.
O clássico realmente tem saúde de sobra e é arisco. Basta um pouco de pressão no acelerador para que o propulsor mostre o porquê de sua fama nos circuitos. E lá fomos nós para a pista de Nürburgring... Ops, que nada. Até me esqueci que estávamos em São Paulo. A velocidade chega rápido. Acredite.
Força, estilo e personalidade forte. O trinômio do sucesso. O Carrera RS deixou sua marca no mundo dos automóveis esportivos. Seus números de desempenho o converteram em uma verdadeira lenda. E ficaram gravados na memória e no coração de todos. Assim como uma boa foto.
enviada por Renato Bellote
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