Sobre o Autor

Renato Bellote é bacharel em Direito, mas sempre se interessou pelo mundo mágico dos automóveis. Desse modo, assina seis colunas sobre antigomobilismo na internet e também colaborou com o portal Webmotors. Além disso, tem textos publicados em doze países de língua espanhola, entre eles México, Argentina e Guatemala. Desde 2004, é correspondente do site português Lusomotores.

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26/12/2007 07:10

Sangue novo na F-1

Segue abaixo um artigo que escrevi para o portal Lusomotores sobre a estréia de Nelsinho Piquet na Renault.

"Duas gerações na pista



Nelson Piquet sempre teve pavio curto. Essa é uma das grandes verdades do automobilismo mundial. Além de falar o que pensa, nas pistas e fora delas, o tricampeão nunca levou desaforo para casa e criou algumas polêmicas durante sua vitoriosa carreira.

Um dos exemplos mais emblemáticos e representativos desse fato ocorreu em 1982, no circuito de Hockenheim. Piquet liderava a prova e Eliseo Salazar seguia logo à frente como retardatário. Mas ele fechou o carro do líder tirando os dois da pista. Conclusão: o brasileiro não pensou duas vezes e saiu do carro direto para tirar satisfações com o oponente.

Recentemente ele apareceu novamente na imprensa por ter perdido a carteira de habilitação. O excesso de multas o obrigou a fazer um curso de reciclagem no Departamento de Trânsito. Talvez a atração – irresistível – pela velocidade também tenha feito com que anunciasse sua volta aos circuitos. No ano que vem correrá pela GT 3, a bordo de um Ford GT.

Passados quase trinta anos daquela confusão na Alemanha, a segunda geração da família chega à categoria máxima do automobilismo. Nelson Piquet Júnior, ou Nelsinho como é mais conhecido, foi piloto de testes da Renault e agora terá a oportunidade de disputar a temporada 2008 como segundo piloto da equipe francesa.

Euforia geral na imprensa brasileira. Por aqui o pessoal já começou a jogar confete e até mesmo falar em título mundial. Foi assim com Rubens Barrichello quando chegou à Ferrari e Felipe Massa, após sua estréia na escuderia italiana. Mas vamos com calma que o santo é de barro, como diz o ditado popular.

Em primeiro lugar, vale lembrar que Nelsinho chega como segundo piloto. E segundo mesmo. Imagino que a cláusula principal do contrato de Fernando Alonso deva ter deixado bem claro de quem é o primeiro posto no time. Haja vista sua experiência – quase traumática – da temporada de 2007, quando sentiu a concorrência dentro de casa. Literalmente falando.

O atual regulamento da Fórmula 1 não permite coisas tão bizarras como antes. Lembrem-se de algumas provas do calendário de 2002, quando Barrichello abriu passagem para o alemão Michael Schumacher. Mas sempre existe um modo mais discreto de fazer uma armação durante a corrida.

Ainda citando os brasileiros na categoria, Felipe Massa terá que correr atrás do prejuízo. A desclassificação e quebra do carro em duas corridas da última temporada realmente fizeram com que Kimi Raikkonen – que também teve garra – assumisse o primeiro posto na equipe. Podem até negar, mas que haverá uma pequena diferença entre eles, isso haverá.

Rubens Barrichello, por outro lado, corre com experiência de sobra. Ele já passou da fase dos títulos e agora desfruta da condição de veterano. Isso quer dizer que não tem mais “obrigação” de vencer. Com a Honda, aliás, essa tem sido uma palavra difícil de aparecer. Espero que ele consiga acertar o carro para 2008.

Rubens foi um piloto injustiçado pela mídia nacional. O fato de ter sido o primeiro brasileiro a correr pela Ferrari e também o único representante da nação no período posterior à morte de Ayrton Senna, foi negativo para sua carreira, com excesso de cobranças. Vale lembrar que ele pegou Schumacher em sua melhor fase. Qualquer piloto teria que aceitar o desprezível jogo de equipe. Ou sair.

Neste momento uma nova safra de profissionais vem chegando. Além de Massa, em uma equipe de ponta, Nelsinho Piquet chega para colocar o país novamente em evidência. E ainda tem Bruno Senna, sobrinho de Ayrton, que pode se destacar futuramente na categoria.

Já tem gente até imaginando o duelo Nelsinho/Massa e também com seu companheiro Fernando Alonso. O espanhol tem gênio forte e volta como soberano a uma escuderia que lhe deu os dois títulos. Talvez Piquet, o pai, também volte a causar polêmica e tecer críticas ao asturiano. Afinal, filho é sempre filho.

O importante a salientar é o contexto da Fórmula 1, mudanças no regulamento e novas feições na pista. Como foi dito, o Brasil está bem representado. Só espero que o excesso de peso do sobrenome famoso não atrapalhe o futuro promissor do jovem piloto. É esperar pra ver".

enviada por Renato Bellote






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